Assim como os animais de pequeno porte os equinos (e em especial os cavalos) possuem uma lista de patologias mais comuns na clÃnica médica. De corriqueiras à s mais temidas, e tendo entra elas a tão famosa cólica equina; conheça hoje as principais patologias que acometem esses animais tão grandes mas ao mesmo tempo tão delicados e saiba como proceder para evitá-las.
Pododermatites
Ou simplesmente, doenças dos cascos. Assim como os bovinos, os equinos possuem uma verdadeira gama de patologias que podem acometer essa parte tão essencial para seu movimento e sobrevivência. As pododermatites podem ser evitadas com a inspeção e cuidados especiais com o casco do animal frequentemente, além de evitar manter-lo em locais molhados por muito tempo.
Enjoo de movimento
Geralmente provocado por viagens longas e tendo seus sintomas parecidos com o da gripe equina, se não tratada poderá evoluir para quadros mais graves como pneumonia e pleurisia. Animais acometidos tendem a ter febre alta, aumento da frequência cardÃaca, palidez e falta de apetite; devem ser colocados em repouso e consultados por um Médico Veterinário
Diarreia
Assim como em outras espécies a diarreia equina pode decorrer por N causas. Sendo as mais comuns: parasitismo, mudança na dieta, ansiedade, irritação ou infecção bacteriana.
A infecção mais comum se dá pela Salmonella abortus-equi, resultando na salmonelose; patologia de caráter zoonótico.
Influenza equina
Conhecida também por tosse ou gripe cavalar e transmitida pela vÃrus EIV a patologia se assemelha a gripe humana e ocorre geralmente em locais com grande número de equinos, sua transmissão se dá pelo contato de animais sadios com animais enfermos.
Cornage
Denominada oficialmente Hemiplegia laringeana e responsável pelo chamada "cavalo roncador", a patologia promove a paralisia uni ou bilateral da laringe do animal; de caráter idiopático e acomendo mais equinos com até 10 meses de idade. A patologia é geralmente observada após grande esforço do animal. Em casos mais severos pode indicar intoxicações ou envenenamentos; é possÃvel a necessidade de intervenção cirúrgica.
Epistaxe
Hemorragia resultante ao exercÃcio de forma frequente; podendo indicar problemas nas vias áreas superiores, hematoma etmóide ou infecções fungicidas. Em casos de hemorragias mais graves há a possibilidade do acometimento pulmonar e o Médico Veterinário deve ser solicitado emergencialmente.
Gurma
Infecção provocada pela bactéria Streptococcus cusequi; com sintomas como febre alta, pus nas narinas, falta de apetite e consciência incompleta. A patologia é altamente contagiosa e o animal deve ser rapidamente isolado, o Médico Veterinário deve ser solicitado com urgência.
Anemia infecciosa equina
A famosa AIE. Causada por um vÃrus do gênero Lentivirus e da famÃlia RetrovÃrus, sua transmissão geralmente ocorre por meio de moscas e mosquitos. Os sintomas geralmente são febre alta, abatimento e debilidade das patas; o animal uma vez acometido se torna portador do vÃrus.
Encefalite equina
Conhecida também como falsa raiva ou doença de Aujesky, a patologia causada pelo AlphavÃrus atinge o sistema nervoso central do animal provocando sintomas como perturbações, comprometimento da visão e perda de peso. O tratamento é eficaz apenas no inÃcio da doena.
Cólica equina
E enfim chegamos a ela, a tão temida patologia equina. Classificadas como verdadeiras (quando as dores ocorrem e região estomacal e intestinal) e falsa (quando as dores ocorrem em região de órgãos internos). O desconforto abdominal por muitas vezes impede o animal de permanecer de pé e é comum, durante os atendimentos, encontrar-los rolando de um lado para o outro desesperados. Patologia grave e de caráter emergêncial, é uma das principais causas de óbito de equinos e muitas vezes necessita de tratamento cirúrgico.
Referências
REED, Stephen M. et al. Medicina Interna Equina. [S. l.]: Guanabara Koogan, 1998.
VEDOVATI. As principais doenças que atacam os cavalos e como evitá-las!. [S. l.], 2018. DisponÃvel em: https://www.vedovatipisos.com.br/noticias-artigos/as-principais-doencas-que-atacam-os-cavalos/. Acesso em: 17 jul. 2019.
Doença altamente contagiosa provocada pelo vÃrus CDV (Canine Distemper VÃrus), conhecido no Brasil como VÃrus da Cinomose Canina (VCC). Da famÃlia Paramyxoviridae, atinge animais da famÃlia Canidae, Mustelidae, Mephitidae e Procyonidae degenerando os envoltórios lipÃdicos que envolvem os axônios dos neurônios, conhecidos como bainha de mielina. Afeta a todos os cães sendo os mais jovens geralmente os mais acometidos, geralmente ocorre associada à outras patologias
Mas afinal, o que raios é essa doença e porque ela é conhecida como "o terror da clÃnica de pequenos animais?"
A cinomose, provocada pela vÃrus CDV nada mais é do que uma patologia de caráter neurológico, atingindo, portanto, o sistema neurológico do animal acometido. A bainha de mielina é responsável pela proteção dos axônios e também a aceleração da velocidade do impulso nervoso, logo, quando atingida a mesma pode ser comprometida ou sofrer o que nós conhecemos como desmielinização (o que nada mais é do que a destruição da bainha) seu comprometimento será um dos principais pontos para a determinação do comprometimento do sistema nervoso do animal.
E é então que os sintomas começam a surgir.
Sintomas
Estes que virão a variar de acordo com a idade do animal, os diferentes tipos de cepas do sorotipo CDV, o sistema imunológico do animal e outros fatores.O que abre ao clÃnico um verdadeiro leque de opções de sintomatológicas que acabam atrapalhando o diagnóstico e muitas vezes colocando a cinomose como possibilidade em diversos casos clÃnicos diferentes (por isso, não se assuste quando ver "cinomose" na aba de suspeitas do seu animalzinho que está apenas vomitando e triste, pode ser apenas uma suspeita mesmo).
Mas, mesmo assim, ainda podemos listar alguns sintomas conhecidos como os mais caracterÃsticos da patologia.
● Hiperqueratose dos coxins ("almofadinhas" dos cãezinhos)
● Febre
● Hipoplasia do esmalte dentário
● Paralisia
● Paresia
● Contrações musculares involuntárias
● Incoordenação
● Quedas
● Convulsões
● Rigidez muscular
● Vocalização
● Prostração
● Cegueira aparente
● Secreção ocular
Diagnóstico
Para o diagnóstico clÃnico-laboratorial é necessário a realização de um exame conhecido como Teste Rápido para Cinomose, ou CDV Ag. Nele o Médico Veterinário irá coletar a secreção ocular ou a amostra de sangue do animal para a realização do exame e em poucos minutos será possÃvel a confirmação ou descarte da doença.
Positivo? Então é hora do tratamento.
Tratamento
Durante o tratamento o animal será submetido a diversos medicamentos, responsáveis por controlar as lesões musculares geradas pela patologia e promover auxÃlio ao sistema imunológico do animal para que este "lute" contra o vÃrus. Como já dito antes muitas vezes a cinomose se apresenta associada à outras patologias, e então será necessário o tratamento das doenças concomitantes também; estas que podem ser várias, mas os casos mais comuns são associados a erliquiose, babesiose e parvovirose.
O clÃnico deve se lembrar também da possibilidade de infecções secundárias e promover a adição de imunomoduladores e vitaminas ao protocolo medicamentoso do paciente.
O tratamento é longo, e por muitas vezes um tanto custoso ao bolso do tutor. O torna a prevenção muito melhor do que o tratamento da patologia em si.
Outro agravante é o prognóstico: Reservado ou ruim. Indicando que a cinomose é instável e o tratamento pode vir a não ser tão satisfatório quanto deveria, as chances de óbito são altas, e os sobreviventes muitas vezes apresentam sequelas como:
● Contrações musculares involuntárias
● Paresia
● Paralisia
● Problemas visuais
● Problemas auditivos
● Problemas dentários
● Convulsões
A cinomose não possui cura parasitológica apenas cura clÃnica, infelizmente, o tratamento consiste em dar suporte ao organismo do animal para que este consiga controlar o vÃrus e minimizar seus danos. A cura ocorre apenas quanto as doenças concomitantes. Cães diagnosticados com cinomose devem ser mantidos isolados de cães saudáveis a fim de evitar a transmissão do vÃrus que ocorre com extrema facilidade, cães que apresentam cura clÃnica não possuem a capacidade de disseminar o vÃrus quando seu sistema imunológico se apresenta bem.
Os locais e objetos contaminados por cães portadores do vÃrus CDV devem ser desinfetados com desinfetantes próprios para tal.
Prevenção
A vacinação é a melhor forma de evitar que seu animal contraia o vÃrus da cinomose, de preferência vacinas chamadas "importadas"; variando em V8, V10 e V11.
Mas vale lembrar que a vacina, assim como todas as outras, não possui uma taxa de 100% de segurança e por isso mesmo que raros, há casos de cães vacinados com vacinas de excelente qualidade que contraÃram a cinomose.
Abaixo algumas dicas para manter o seu melhor amigo longe dessa terrÃvel doença.
● Vacine seu animal a partir dos 45 dias de vida, realizando 3 aplicações de V10 importada
● Realize o reforço da V10 anualmente
● Evite que seu cão tenha contato com animais doentes ou não vacinados
● A qualquer sinal de anormalidade, consulte um Médico Veterinário
Outras espécies acometidas
O vÃrus da cinomose não acomete apenas cães como também uma série de outras espécies que devem estar em dia com os cuidados veterinários contra essa doença. Vale lembrar que a cinomose não é transmitida para seres humanos e os animais selvagens não devem ser submetidos à caça, apenas mantenha seus animais longe do contato com os animais de vida livre.
Confira agora algumas espécies que também podem sofrer com a cinomose.
● Furão
● Doninha
● Lontra
● Marta
● Texugo-europeu
● Doninha de nuca branca
● Hiena
● Lobo-da-terra
● Crocuta
● Lince do deserto
● Cão selvagem asiático
● Foca
● Leão marinho
Referências
BORIN-CRIVELLENTI, Sofia; Z. CRIVELLENTI, Leandro. Casos de Rotina em Medicina Veterinária de Pequenos Animais. São Paulo: MedVet, 2012.
GREENE, Craig E. Doenças Infecciosas Em Cães e Gatos. [S. l.]: ROCA, 2015.
JERICÓ, Márcia Marques et al. Tratado de medicina interna de cães e gatos. [S. l.]: ROCA, 2014.
LITFALLA, Felipe et al. Cinomose e o processo de desmielinização. Revista CientÃfica Eletrônica de Medicina Veterinária, São Paulo, 2008. DisponÃvel em: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/Zf2Nc2Y4x0z2ZtO_2013-6-14-14-40-31.pdf. Acesso em: 17 jul. 2019.